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5 dicas: como melhorar a redação jurídica em inglês

5 dicas: como melhorar a redação jurídica em inglês


Seja para litigar, prestar consultoria, negociar ou atender clientes, uma boa redação é um grande diferencial na atuação de advogadas e advogados.


Ao escrever em inglês, abrimos as portas para a atuação internacional. Para se expressar no segundo idioma, advogadas e advogados precisam ter certeza de que documentos jurídicos e comunicações transponham barreiras linguísticas, jurisprudências e culturais e seu tom, estilo e vocabulário possibilitem a comunicação com diversos interlocutores.



Redação jurídica é uma disciplina essencial para advogados em todos os campos. Desde petições, peças e pareceres até contratos, políticas internas e artigos, a prática jurídica se fundamenta na arte de escrever bem.


A redação jurídica de qualidade deve mostrar confiança, autoridade técnica e persuasão. A escrita em inglês tende a ser mais concisa, evitando a perífrase e paráfrase tão comuns no português. Escrevendo em inglês, devemos buscar transmitir essas qualidades em contextos jurídicos internacionais.


O trabalho de criar pontes linguísticas e culturais é essencial para ampliar nossos horizontes de comunicação e atuação profissional.


Confira abaixo 5 dicas de redação jurídica vão te ajudar a melhorar a escrita em inglês.


Para refletir. Quais destes 2 textos é mais compreensível?


1. Planeje o texto


Planejamento. Pense em para quem você está escrevendo. Neste ponto é importante perguntar:

  • Quem é meu destinatário?

  • Que relação tenho com esse leitor?

  • Qual é o objetivo deste texto: informar, aconselhar, persuadir ou outro?

  • Quais requisitos formais e materiais devo observar?

Esboço. A melhor maneira de estruturar qualquer peça é escrevendo de cima para baixo. Comece mostrando ao leitor sobre o que você está escrevendo e por quê, depois liste os argumentos de apoio a sua tese. É importante se concentrar nos argumentos mais convincentes primeiro. Depois, apresente argumentos adicionais de apoio. Use cabeçalhos para quebrar seções e fazer a transição de um argumento para o próximo, e inicie novas seções com frases resumidas. Utilize listas e bullet points para resumir ideias e facilitar a visualização do documento.


Escrita. Mesmo com um esboço detalhado, pode demorar até iniciarmos a escrita em si. Bloqueio criativo pode ser um problema mesmo para a maioria dos advogados experientes. Não se preocupe em acertar de primeira, é para isso que servem revisão e edição. Na primeira versão, traga o máximo de informações pertinentes. Certifique-se de que os argumentos fluam de uma seção para outra (linguisticamente, com preposições e conjunções, e retoricamente).


Além de produzir tantas versões quanto for possível antes do prazo final, é importantíssimo dar ao documento tempo para respirar. Depois de escrever, dê uma pausa e volte ao texto com novos olhos.


Duas observações:

  • Não se preocupe em cortar, editar e reduzir o texto nesta primeira fase. Além disso, a formatação pode ficar para depois: nesta fase, devemos acumular informações relevantes para o documento.

  • Ao citar doutrina e jurisprudência brasileiras, se certifique de que os conceitos apresentados são inteligíveis para um leitor internacional. Se necessário, crie notas explicativas.

Edição e Revisão. O processo de redação jurídica não termina quando terminamos um documento. Um erro comum é não programar um tempo para edição e revisão. A consequência disso é que advogados que apresentam documentos com erros gramaticais são vistos como desleixados, menos confiáveis.


Pode ser difícil apontar erros ortográficos e gramaticais assim que terminamos de escrever. Após ler um texto várias vezes, você começa a ignorar seus próprios erros. Ler em voz alta ou de trás para frente são boas estratégias para combater esse viés durante a revisão. Se você tiver tempo, deixe o texto descansar e volte a ele após alguns dias.


2. Entenda seu público


Saber para quem você está escrevendo ajuda a moldar a estrutura e o tom de sua peça. Nesse sentido, vale entregar ao leitor exatamente o que ele precisa saber. Às vezes escrevemos tudo o que sabemos sobre um tema, e dificulta a compreensão. Um juiz, advogado ou cliente têm percepções e expectativas diferentes com relação a um documento. Isso precisa ser levado em conta ao determinar o tom, estilo e nível de detalhes no que você escreve.


3. Inspire-se em Warren Buffett


O investidor americano é conhecido por suas cartas a investidores extremamente concisas. As cartas de Buffett têm uma média de 13,5 palavras por frase e 4,9 letras por palavra. Muitos advogados teriam dificuldade em ser tão sucintos. Até porque portfólios e recomendações de investimento são assuntos extremamente técnicos. Torná-los compreensíveis ao grande público é um exercício e tanto. No caso de Buffett, os resultados apresentados são mais eloquentes do que qualquer jargão.


4. Evite ambiguidade


Esclareça termos e seja consistente. É importante ser claro e específico, dando detalhes sem pressupor que o leitor sabe o que você quer dizer. Escreva até mesmo o que poderia ser pressuposto pelo leitor. Não tenha medo de repetição. Exemplos, gráficos e tabelas ajudam a esclarecer seu ponto de vista.


Escrever um documento jurídico é diferente de escrever um romance ou uma história. É importante explicitar referentes e usá-los de forma consistente, mesmo que isso soe como repetição. Usar sempre o mesmo referente (chamar, por exemplo, o contratante sempre de contratante (contracting party) ou, melhor ainda, sempre pelo nome) diminui as chances de o leitor se confundir. Se o documento contiver termos semelhantes, mas com significados ligeiramente diferentes (ex.: contratante e contraente), você pode incluir um glossário para definir cada termo com clareza.


Cuidado com Advérbios e Pronomes Relativos. Advérbios são ótimos para gerar ambiguidade. Palavras como generally, reasonably, normally, commonly não são específicas e estão abertas a interpretação. Por exemplo, se um contrato prevê que:


The Contractor must employ methods commonly used for this service.”


os métodos comumente aplicados não estão definidos e podem variar de leitor para leitor. Da mesma forma, evite palavras como "it", "this", "that", "such" e "which", para se referir amplamente a uma ideia em uma frase anterior, pois isso poderia causar confusão.


Frases curtas e layout claro. Frases curtas são recomendáveis para a maioria dos textos. Ir direto ao ponto facilita a compreensão e elimina penduricalhos textuais. Se você vir que uma de suas frases é mais longa que duas linhas, use ponto final para dividi-la em várias frases. Isso ajuda a hierarquizar e ressaltar a informação mais importante para o receptor.


Além disso, sempre que possível, vale recorrer a elementos visuais. Por exemplo, o uso adequado de listas, tabelas e bullet points organiza e traz clareza à redação.


Na escrita jornalística aprendemos a nos debruçar sobre um assunto e hierarquizá-lo, do ponto mais importante ao menos importante. A qualquer momento, você pode cortar parágrafos do texto, começando pelo fim até o começo. Mesmo fazendo isso, o seu texto preserva uma sequência lógica. Já a escrita literária conta uma história. É uma viagem, e o clímax surge no fim. Sempre que me mandam um memorando em estilo literário, eu desconsidero.

5. Verifique a gramática


Voz ativa: Em inglês proficiente, o sujeito faz algo, e não algo é feito ao sujeito. "John drafted the contract” (John redigiu o contrato) está na voz ativa, preferível à voz passiva de "The contract was drafted by John” (o contrato foi redigido por John).


Oxford comma: Ao listar itens, o inglês formal inclui uma vírgula antes de and e or. Ex.: John, Mary, and Anna called a meeting; We could have rented a flat, a studio, or a beach house.


Sem gírias e sem hipérbole: Exageros de linguagem dificultam a objetividade do texto. Além disso, devemos evitar pontos de exclamação.


Seja preciso: Por exemplo, use uma data específica ao invés de "recently", ou um endereço em vez de near ou about.


Traga clareza. Evite os duplos negativos: se você não tem motivo para usá-lo, não o use. Expressões como "not insignificant" e "not uncommon" confundem o leitor e atrasam a leitura. Além disso, devemos buscar situações em que uma palavra pode substituir várias. "In light of the fact that…" poderia facilmente ser "because". Da mesma forma, podemos substituir "in order to" por "to" e "in the vicinity of" por "near". Essas expressões tumultuam o texto e dificultam a leitura. Ao enxugar suas frases, o espaço se abre para as ideias mais relevantes.


Use tecnologia para detectar erros. Há muitos sites e programas para ajudar na redação legal. Natural Reader, por exemplo, lerão em voz alta o que você cola nele. É mais fácil pegar os erros quando alguém está lendo. Outros sites, como Grammarly, Briefcatch, Paperpal e LanguageTool, ajudam a revisar seu texto. Outra ferramenta excelente é o Hemingway.app, que identifica usos de voz passiva, frases longas demais e outros problemas de coesão textual.


Use jargão somente quando necessário. O jargão jurídico e técnico é apropriado em alguns contextos (em peças, por exemplo), mas não na comunicação direta com clientes. No mais das vezes, o juridiquês atrapalha a comunicação e afasta potenciais leitores. Devemos nos esforçar para escrever em linguagem clara que, além de demonstrar domínio técnico, torne o jargão acessível a qualquer leitor.


Conclusão


Ao dar os primeiros passos na redação jurídica em inglês, lembre-se de que ninguém se torna um bom escritor da noite para o dia. A redação jurídica é uma habilidade em constante construção. Devemos fortalecer os alicerces dessa habilidade por meio da leitura constante, da troca de informações com outras advogadas e outros advogados e da consolidação de conhecimentos.


A única forma de melhorar a redação, jurídica ou de qualquer tipo, é continuar escrevendo.


O processo de escrita é complexo, envolve mais do que apenas escrever palavras. Pesquisa, consistência e revisão são habilidades-chave para produzir bons documentos jurídicos. Quanto mais você pratica, mais fácil será redigir documentos e pareceres, e melhor ficará seu trabalho ao longo do tempo. As dicas de escrita acima são um ponto de partida. Lembre-se de estar sempre aberto a feedbacks e críticas construtivas.


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